Revisado: 29/10/2003

Módulo 55

 

 

 

Um Guia para o Editor

Parte II

 

 

Dica 4: Corte imediatamente após a imagem ter dado o seu recado.

Primeiro, uma observação pessoal. Como professor de produção de TV, há mais de vinte anos, posso dizer que mais de 90% dos vídeos produzidos por estudantes são longos demais. A maioria deles poderia melhorar bastante, se reeditados, tivessem reduzida a sua duração - em cerca de, pelo menos, 50%.

Quando digo isto aos meus alunos, eles parecem não acreditar. Então mostro a eles, exemplos de cenas de comerciais, produções dramáticas e matérias jornalísticas (onde a duração média dos segmentos é de cinco a sete segundos).

Se você perguntar a opinião de alguém sobre um filme e a resposta for: "Meio devagar", muito provavelmente, você não irá assisti-lo. "Devagar" é igual a "chato". No mundo veloz e competitivo da produção de cinema e da TV, este é um adjetivo que você deve evitar, se pretende seguir a profissão.

O ritmo do programa é impresso durante a edição. Embora, o editor não possa fazer milagres, quando o roteiro é ruim, ou a gravação foi mal realizada.

Qual é o tempo ideal de duração de uma cena?
Apenas o necessário para o espectador captar a essência da informação visual. Depois disso, a atenção diminui rapidamente. Takes com novas informações estimulam o interesse da audiência.

   

Complexidade e Familiaridade com o Assunto

A duração de um plano é determinada, em parte, pela complexidade ou familiaridade do público com o assunto.

Quanto tempo leva para que o espectador perceba os elementos principais de uma cena?

 
Por exemplo, a Estátua da Liberdade é uma imagem bastante conhecida. Se quiséssemos utilizá-la como um símbolo, ou sugerir que o programa se passa em Nova Iorque, um take de 1 ou 2 segundos (equivalentes a 30 e 60 quadros de vídeo), seria o suficiente para comunicar a mensagem.

No entanto, se nosso objetivo fosse realizar uma reportagem sobre a necessidade de restauração do monumento, teríamos de utilizar takes mais longos, para mostrar as áreas danificadas.

 

Da mesma forma, a imagem de um marciano saindo da sua nave, nos jardins da Casa Branca, pediria um take longo, para satisfazer a curiosidade da audiência quanto à aparência do extra-terrestre.

N o módulo anterior, falamos de montage. Nesta técnica, são utilizados takes curtos, às vezes de frações de segundos (10 ou 15 quadros de vídeo). É óbvio que não há tempo suficiente nem para começar a ver todos os elementos da cena.   Mas, o objetivo deste tipo de edição é comunicar impressões e não mostrar detalhes. Os comerciais utilizam muito esta técnica para comunicar "climas" e sensações.

O editor pode acelerar o ritmo do programa, fazendo cortes rápidos. Porém, o ritmo do corte depende do conteúdo e gênero da produção; por exemplo, cenas campestres pedem tomadas mais longas do que imagens da hora do rush, no centro de Nova Iorque.    


Variando o Ritmo durante a Edição

O ritmo é um elemento importante em qualquer produção. Um programa todo feito com cortes rápidos, irá cansar a audiência. Por outro lado, um programa devagar, levará a audiência a procurar outros canais.

O editor deve regularmente fazer mudanças no ritmo. Se o conteúdo da produção não sugerir mudanças naturais de tempo, o editor poderá editar vinhetas com um fundo musical, para unir os segmentos e criar variações no andamento do programa. É por este motivo que os editores adoram as estórias paralelas, das produções dramáticas: o corte de uma estória para outra estabelece, naturalmente, uma variedade no ritmo da narrativa.

O começo do programa é o momento mais crítico, especialmente na TV comercial. Se você começar devagar (e chato) a audiência mudará de canal. (Lembre-se, é durante estes primeiros segundos que a audiência se sente mais tentada a "ver o que está passando nos outros canais").

É por isso, que os programas de TV, freqüentemente anunciam as atrações principais ou mostram as cenas mais bonitas e dramáticas no início do programa. Para manter a audiência, durante os intervalos comerciais, os apresentadores, regularmente, fazem "chamadas" anunciando os assuntos do próximo bloco.

Procure sempre começar com os "pontos fortes" e criar "ganchos" para atrair o interesse. Após ter conseguido a atenção do público, você terá de mantê-la. Se a ação ou o conteúdo chegar ao clímax cedo demais, o resto do programa irá se arrastar e você também poderá perder a audiência. :-(

O melhor é começar o programa com uma seqüência que tenha um forte apelo visual ou sonoro e ir, aos poucos, apresentando as informações necessárias para o desenvolvimento do assunto. Durante a edição, procure ir, gradativamente, aumentando o interesse até o clímax no final. Um final de impacto deixará a audiência com um sentimento positivo sobre o programa.

Para pré-testar programas, algumas vezes, os diretores organizam "previews" para uma audiência geral. Estas sessões, geralmente, acontecem em locais onde a atenção do público pode ser desviada por outros elementos (o que é típico do ambiente familiar). Durante a exibição, os diretores observam a reação da audiência, para detectar os pontos fracos do programa, onde a atenção do público tende a diminuir.

Dica 5: Use e Abuse do B-roll

Howard Hawks, um cineasta americano, disse: "um grande filme é feito com cut aways e inserts ". Numa produção de vídeo, esse material é chamado de "B-roll".

Nas produções dramáticas, o B-roll consiste de detalhes relevantes. Inserts e Cut aways acrescentam interesse e informação. Um tipo de cut away muito utilizado em novelas é o plano de reação - close up revelador - que mostra como o personagem está reagindo à situação apresentada na cena.

A utilização deste material suplementar aumenta a quantidade de informação visual e com isso, acelera o ritmo do programa.

Em noticiários e entrevistas, os planos gravados no A-roll são, geralmente, imagens bastante estáticas: o rosto de apresentadores ou repórteres - o que os americanos chamam de "talking head." No B-roll são gravados planos de apoio, acentuando ou detalhando visualmente, o que está sendo dito.

Por exemplo, em uma entrevista com o autor de uma grande invenção, o público estará mais interessado em ver o novo aparelho com todos os detalhes. Por isso, é mais importante mostrar o material gravado no B-roll, do que a entrevista com o inventor (talking head), gravada no A-roll. Alguns segundos da imagem do inventor serão o bastante para satisfazer a curiosidade do público sobre a sua aparência.

Dica 6: O toque final é: Quando em dúvida, esqueça !

Se uma cena não acrescentar nada ao conteúdo do programa, deixe-a de lado. A inclusão poderá resultar em atraso no desenvolvimento da estória e até confundir o público quanto ao enfoque da mensagem e da própria produção.

Cut aways inadequados podem distrair a atenção do público, do foco central da produção.

P or exemplo, um pastor evangélico pagou milhares de dólares pela transmissão de seu programa, numa emissora de TV. O pastor preparou um discurso dramático, esperando que a sua mensagem contundente inspirasse a conversão de novos fiéis. Mas, durante a pregação, o diretor achou apropriado mostrar o que acontecia na platéia, e cobriu a fala do pastor (que ficou em off) com takes de crianças irrequietas, casais de mãos dadas e outras coisas "interessantes".

Assim, o discurso que deveria hipnotizar os espectadores, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. A atenção do público foi desviada da mensagem central, por detalhes irrelevantes. Os espectadores foram levados a reparar ou pensar, coisas do gênero: "olha, que gracinha, aquela menina nos ombros do pai! "

Pode até ser que estes cut aways tivessem seu lugar no programa, mas certamente, não no meio da passagem mais dramática e inspirada do discurso do pastor.

O diretor, ao tentar acrescentar variedade e interesse ao programa, desviou a atenção do público do que deveria ser a mensagem central daquela produção.

Concluindo, ao decidir sobre a inclusão de um insert, cut away ou seqüência, avalie se estes acrescentam ao significado da mensagem central. Caso contrário, deixe-os de lado!

  


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© 1996 - 2002, Ron Whittaker
Tradução Graça Barreiros