Revisado: 29/10/2003

Módulo 51

 

 

 

Técnicas de Continuidade


 

A lém de ordenar os planos e manter a continuidade básica da estória, o editor pode melhorar o visual do programa, utilizando takes de apoio: inserts e cut aways.

  

Inserts

Insert é um plano de detalhe (close up) de qualquer coisa que exista dentro de uma cena, mostrada no plano de conjunto (establishing shot).

Os inserts mostram informações que não seriam claras ou visíveis de imediato. Por exemplo, no caso da nota de 100 dólares, um Close up da cédula seria um insert.
  

Cut aways

A o contrário dos inserts, que mostram detalhes significativos da cena global magnificados em close ups, cut aways desviam a atenção da ação principal, para imagens relacionadas.

 

Aqui, cortamos de um homem descendo as escada de uma mina, para outro já no andar inferior.

Durante uma procissão, podemos cortar da imagem do santo homenageado, para imagens de pessoas assistindo ao evento de uma janela ou para um bebê que dorme tranqüilo, no meio da multidão.
  

Edição Relacional

H á muitos anos atrás, dois cineastas russos - Pudovkin e Kuleshov fizeram uma experiência, na qual intercalaram cut aways de cenas diferentes com o rosto de um homem imóvel e sem expressão. Eles editaram 3 seqüências:

Sequência 1: rosto do ator / um prato de sopa/ rosto do ator.

Sequência 2 : rosto do ator/ o cadáver de uma mulher dentro de um caixão / rosto do ator.

Sequência 3 : rosto do ator/ uma menina brincando / rosto do ator.

Para a audiência assistindo o filme editado, a expressão neutra do ator parecia se emocionar, ao ser associada às outras tomadas, estabelecendo uma relação de causa-efeito.

Por exemplo, na seqüência 1, a audiência percebeu que o homem estava faminto. Na seqüência 2, o rosto parecia revelar uma profunda tristeza e na seqüência 3, o orgulho de um pai coruja.

Este experimento revelou um aspecto importante da edição: a tendência humana de estabelecer relações entre os takes de uma seqüência montada.

Na edição relacional, imagens que por si só, não teriam nenhum tipo de ligação, ganham um novo sentido, quando justapostas durante a edição.

V oltemos à cena da mulher aparentemente assassinada pelo marido. O que aconteceria se colocássemos um take desta mulher retirando uma grande soma de dinheiro de dentro de um cofre, antes de apresentá-la morta no chão da sala?

  

Edição Temática

N a edição temática , também conhecida como montage , as imagens são editadas de acordo com um tema central. Ao contrário de outros tipos de edição, a edição temática não pretende contar a estória, desenvolvendo a idéia, numa seqüência lógica.

A edição temática envolve cortes rápidos, de takes não relacionados, montados numa seqüência impressionista, cujo objetivo é o de comunicar sentimentos ou experiências. Este tipo de edição é muito usado em videoclips, comerciais e trailers de filmes. A intenção não é delinear a story line, mas simplesmente, comunicar uma atmosfera - ação, perigo, etc .
  

Ação Paralela

O s primeiros filmes de ficção contavam apenas uma estória - com o herói presente em todas as cenas. Esta estrutura simplista, hoje em dia, arrancaria bocejos da platéia. As novelas, seriados e mesmo os documentários modernos apresentam várias estórias ou situações que acontecem simultaneamente. Isto é chamado de ação paralela (parallel action).

Os cortes de uma miniestória para outra variam o ritmo do programa e aumentam o interesse da audiência.

Durante a edição, quando cortamos e juntamos os segmentos das múltiplas story lines chamamos de parallel cutting .

Voltando ao local do crime, poderíamos intercalar seqüências do marido assassino, com a ação da polícia, que tenta prendê-lo.

 


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