Revisado: 29/10/2003

Módulo 8

  

Como o 
aparelho de tevê funciona?

Por que você precisa saber isso?

Bom, esta é outra daquelas áreas onde "conhecimento é poder". Quanto mais você souber sobre o processo de funcionamento da televisão, mais preparado estará para utilizar as ferramentas do veículo de maneira criativa - e para resolver os problemas que inevitavelmente ocorrem durante o processo de produção.

Assim, vamos começar pelo começo ...

 

Quadros e Campos 

As imagens móveis do Cinema e da TV têm como base sólida, a ilusão. 

Na realidade, não existe "movimento" nenhum nas imagens animadas do Cinema ou da TV.

Os primeiros experimentos com imagens móveis mostraram que, quando uma seqüência de fotos era apresentada numa velocidade igual ou acima de 16 fotos por segundo, estas se fundiam, dando a impressão de ser uma única imagem contínua e ininterrupta.

Descobriu-se também que, se as fotos individuais variassem, ligeiramente, para refletir a passagem do tempo (através das diferenças na luz do dia), a ilusão de movimento era criada, quando estas fotos eram apresentadas em uma seqüência ininterrupta.

A ilusão de movimento se deve aos efeitos combinados de duas propriedades da percepção humana - a persistência retiniana e o fenômeno Phi . Para entender como essa mágica funciona, pense numa versão mais primitiva das imagens animadas da TV e Cinema - os letreiros animados de neon ou de luzes que piscam sugerindo movimento. 

Embora os primeiros filmes mudos utilizassem uma velocidade de 16 ou 18 quadros-por-segundo, com o surgimento do som esta velocidade teve de ser aumentada para 24 quadros-por-segundo, em parte para atender às necessidades de qualidade da nova banda sonora. 

Ao contrário da Televisão broadcast (transmitida), cuja velocidade varia entre 25 e 30 quadros-por-segundo, dependendo do país, o Cinema adotou e mantém por décadas, o padrão mundial de 24 quadros-por-segundo.

O sistema de televisão NTSC (National Television Standards Committee) utilizado nos Estados Unidos reproduz - quadros (frames) numa velocidade de, aproximadamente, 30 quadros-por-segundo.

Certamente, isto ocasiona problemas quando queremos converter filme-para-vídeo e vice-versa, mas deixemos este assunto para mais tarde.

Uma câmera de cinema grava uma seqüência de imagens completamente formadas, em cada quadro da película, da mesma maneira que uma máquina fotográfica de 35 mm grava as fotografias em um rolo de filme. A diferença é que a câmera de cinema grava imagens individuais numa velocidade de 24 quadros-por-segundo. 

É bem diferente na TV. Em uma câmera de vídeo, cada quadro é composto de centenas de linhas horizontais, ao longo das quais existem milhares de pontos com informações sobre brilho e cor. Estas informações são percebidas eletrônicamente pela câmera de TV (e depois reproduzidas na tela do televisor), codificadas e ordenadas seqüencialmente da esquerda-para-a-direita e de cima-para-baixo durante o processo de varredura (scanning). 

Para reduzir o tremor e as variações no brilho da imagem durante o processo de varredura (scanning), cada quadro de vídeo é dividido em dois segmentos entrelaçados (interlaced). As linhas ímpares são escaneadas primeiro, e as linhas pares, depois. 

Repare as linhas escaneadas nesta imagem de TV preto e branco. (Uma imagem de TV em cores é bem mais complexa, e será descrita mais tarde.)

O termo interlaced (entrelaçado) descreve o método de alternância das linhas ímpares e pares, no processo de varredura do número total de linhas de uma imagem completa. Cada um desses meios-quadros (sejam eles compostos de linhas pares ou ímpares) é chamado de campo de vídeo; a imagem completa (formada pelos dois campos de vídeo), como já vimos, é chamada de um quadro de vídeo. 

Uma vez terminada a varredura de um quadro de vídeo, o processo todo se repete. As ligeiras mudanças entre as imagens dos quadros sucessivos, se fundem na nossa percepção e dão a ilusão de um movimento ininterrupto e contínuo.

Hoje, ao invés de usar o método de entrelaçamento (interlaced), alguns aparelhos de TV, câmeras de vídeo e monitores de computador utilizam um método de varredura diferente, conhecido como progressive ou non-interlaced (não-entrelaçado) onde os campos (de linhas ímpares e pares) são combinados e reproduzidos, ao mesmo tempo, na sua própria seqüência.

O método de varredura progressivo tem, entre outras vantagens, a capacidade de interagir mais facilmente com os sistemas de vídeo baseados em computador.

 

Dispositivo de Formação
da Imagem na Câmera

A lente da câmera de vídeo forma a imagem em uma superfície foto-sensível no interior da câmera chamada target, da mesma maneira que a lente da câmera de cinema forma a imagem no filme. Só que ao invés de filme, as câmeras de televisão utilizam receptores foto-sensíveis chamados CCDs (Charged -- Coupled Devices) capazes de detectar diferenças na intensidade do brilho (brightness), nos diferentes pontos de uma imagem.

A surperfície do CCD (também chamado de chip) contém de centenas de milhares a milhões de pixels, que reagem eletricamente à quantidade de luz focalizada em sua superfície.

As áreas de luz e sombra de uma imagem, detectadas nesses pontos, são transformadas em sinais elétricos - volts - de acordo com a sua intensidade. Quanto mais brilhante a luz, maior o sinal (mais voltagem) gerado.

A voltagem de cada um desses pontos pode então ser "lida", linha por linha, num circuito eletrônico. O processo é continuamente repetido criando, assim, uma seqüência de mudanças constantes de informação de campo e quadro de vídeo.

Num certo sentido, este processo todo é invertido no aparelho de TV. A voltagem de cada pixel gerado pela câmera é transformada novamente em luz - que resulta na imagem que vemos na tela de TV. Voltaremos ao assunto mais tarde.


 

 

  


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© 1996 - 2002, Ron Whittaker
Tradução Graça Barreiros