Revisado: 29/10/2002

Módulo 7

 

 

 

 

Os Custos da Produção 

 

Infelizmente, as melhores coisas da vida nem sempre são gratuitas. E isto se aplica especialmente aos programas de televisão, que como já pudemos notar, podem custar milhões de dólares para produzir.

Embora você tenha tido uma idéia genial para um roteiro - que certamente irá torná-lo famoso! -, a menos que você possa levantar o dinheiro para a produção, o seu programa continuará a ser, simplesmente, uma grande idéia.

Assim, a primeira questão a ser resolvida é: quanto irá custar a produção da sua obra-prima?

Mesmo que você não tenha nenhum interesse especial em produzir, quanto mais você entender de orçamento, maiores serão as suas chances de sucesso. Por que perder tempo com grandes idéias que nunca serão produzidas?

Lembre-se que nenhuma produtora - pelo menos, as que pretendem se manter no mercado por muito tempo - irá começar a produzir um programa, sem ter uma idéia de custos.

Como fazer um orçamento?

Primeiro, e especialmente em produções complexas, as despesas devem ser divididas em categorias. Tradicionalmente, os americanos utilizam uma linha para separar os custos diretos de produção, dos custos indiretos . Os custos diretos são conhecidos como "above-the-line" (acima-da-linha) e os indiretos como "bellow-the-line" (abaixo-da-linha).

Above-the line X Bellow-the-line

Embora a "linha" que divide as duas categorias seja muitas vezes tênue, as despesas color=redabove-the-line , geralmente, se referem a gastos ligados aos elementos de produção: elenco, roteiro, música, serviços de escritório, etc).

As despesas referentes à categoria color=redbellow-the-line estão relacionadas a duas áreas:  

  • os elementos físicos (cenário, objetos de cena, maquiagem, figurino, gráficos, transporte, equipamento de produção, aluguel de estúdio e edição). 
  • o pessoal técnico (contra-regra, pessoal da engenharia, operadores de VT, operadores de áudio e serviços gerais). 

Para se ter uma idéia precisa dos custos de um programa, é necessário ir além das categorias: above-the-line e bellow-the-line. Poderíamos, por exemplo, dividir os custos de uma produção complexa em, no mínimo, 13 categorias:

 1.   custos de Pré-Produção 
 2.   locação e viagens
 3.   estúdio - aluguel e construção de cenário
 4.   objetos de cena e figurinos
 5.   aluguel de equipamento
 6.   fitas de áudio e vídeo
 7.   equipe técnica
 8.   produtor, diretor, roteirista, direitos autorais
 9.   elenco
10.  seguros, permissões, imprevistos, etc.
11.  edição off-line e on-line.
12.  publicidade e promoção 
13.  pesquisa e acompanhamento. 

É claro que algumas dessas categorias podem ser eliminadas nas produções menores.

Utilizando software apropriado, podemos gerar planilhas para o gerenciamento da produção - liste todas as categorias e preencha os respectivos campos, com os custos de produção estimados. Aplicando fórmulas, você poderá acessar os custos globais. Durante a produção, você poderá fazer ajustes nas despesas conforme a necessidade e ver, imediatamente, o resultado no final das contas.

Alugar x Comprar Equipamento

Repare que uma das categorias listadas prevê custos de color=redaluguel de equipamento . Normalmente, é mais econômico alugar do que comprar.

Primeiro, equipamento de produção, especialmente câmeras e gravadores de videocassete tendem a se tornar obsoletos muito rapidamente. Uma câmera profissional pode chegar a custar 70 mil dólares. Pode-se levar anos para recuperar o dinheiro investido.

Por exemplo, se você tivesse dinheiro para pagar os 70 mil dólares, à vista, e utilizasse a câmera por cinco anos, o seu custo anual seria de 14 mil dólares, mais as despesas de conserto e manutenção.

Mesmo que a câmera funcionasse perfeitamente, ao final de cinco (ou mais) anos, comparada com os novos modelos, ela, sem dúvida, iria parecer obsoleta. Considere também a dificuldade de se encontrar peças de reposição, à medida que os anos vão passando.

No caso das companhias especializadas em aluguel de equipamento, o material é alugado para várias equipes de produção. E isto possibilita à empresa recuperar o investimento inicial mais rapidamente, e substituir, com freqüência, o equipamento existente por novos modelos.

Segundo, quando o equipamento é alugado, a responsabilidade pelo conserto, manutenção e atualização dos modelos é da companhia de aluguel. Se o equipamento enguiçar durante a produção, a empresa irá substituí-lo por outro, em perfeitas condições, em poucas horas e sem custo adicional.

Além de tudo, os gastos com aluguel podem ser deduzidos do imposto de renda, o que é uma vantagem.

Quando o equipamento é adquirido, o valor deduzido do imposto de renda é depreciado ao longo de um certo número de anos. Às vezes, este período de tempo é maior do que a utilidade do equipamento e a produtora tem de vender o equipamento a fim de recuperar alguma coisa do investimento inicial. Muitas universidades obtêm equipamento desta forma - a doação do equipamento usado é dedutível do imposto.

O custo do aluguel pode ser imediatamente deduzido do imposto de renda, como parte das despesas de produção. Embora as regras que controlam o imposto de renda mudem com frequência, deduzir as despesas de aluguel tem sido para muitas pessoas o caminho mais simples e mais rápido para conseguir um desconto maior do imposto.

Finalmente, quando o equipamento é alugado, as oportunidades de se obter máquinas que atendam às necessidades específicas da produção são maiores. Uma vez adquirido o equipamento, pode haver pressão para que este seja usado, ainda que aquele modelo não seja o mais adequado para o tipo de situação. 

Mesmo no caso de equipamentos tais quais DVC, Hi8 ou S-VHS, o custo do aluguel pode valer a pena, se a câmera for ser usada apenas por poucos dias.


Métodos para se Atribuir Custos

Uma vez que tenhamos chegado ao custo final da produção, será necessário justificá-lo, seja em termos de resultados ou custo-benefício (comparado a outras produções ou métodos de produção).

Existem três tipos de referência para se medir o custo-benefício: custo por minuto, custo por espectador e custo x resultados.

color=maroon size=4Custo Por Minuto

O color=redcusto por minuto é relativamente fácil de se determinar; simplesmente divida o custo de produção final pelo tempo de duração do programa. Por exemplo, se um programa de 30 minutos custou 120 mil dólares, o custo do minuto será de 4 mil dólares.

color=maroon size=4Custo por Espectador

O color=redcusto por espectador também é relativamente simples de se calcular; divida o custo total da produção, pela audiência real ou estimada.

Em publicidade, utilizamos o color=redCPM (custo-por-mil), como medida. Por exemplo, se 100 mil pessoas assistirem a um programa, que custou 5 mil dólares para produzir, o custo por espectador será de apenas 5 centavos por pessoa. E o CPM será de 50 dólares.

color=maroon size=4Custo x Resultados

A última categoria, custo x resultados, é a mais difícil de se aferir. Devemos comparar os custos de produção com os resultados alcançados.

Digamos que, após a exibição de um comercial de 60 segundos na televisão, tenham sido vendidos 300 mil pacotes de lâminas de barbear. Se o lucro conseguido com a venda dos 300 mil pacotes tiver sido de 100 mil dólares e o anunciante tiver investido 100 mil dólares, na produção e veiculação do comercial, ele irá começar a questionar se o anúncio foi um bom negócio.

É claro que, uma vez produzidos, a maioria dos anúncios é exibida mais de uma vez. Isto significa que o custo das veiculações futuras irá se resumir à compra do tempo na TV. Se o custo do tempo da emissora for de 10 mil dólares e conseguirmos vender 300 mil pacotes de lâmina de barbear todas as vezes que o comercial for ao ar, poderemos demonstrar que cada veiculação dá um lucro de 90 mil dólares, pelo menos até as pessoas se cansarem do comercial.

Nem sempre, determinar o retorno do investimento é tão simples assim. Imagine se, além do comercial na TV, estivéssemos também veiculando anúncios em jornais e em rádio - e tivéssemos um grande cartaz colorido nos pontos de venda? Para determinar a influência da publicidade nos lucros, teríamos de somar todos os custos da campanha. E isto tornaria ainda mais difícil determinar o custo-benefício de cada veículo.

Em outros tipos de produção, o "retorno" pode ser ainda mais difícil de se determinar. Como podemos quantificar o "retorno do investimento" de comerciais ou programas de utilidade pública, que têm como objetivo promover mudanças de hábitos e atitudes, tais como parar de fumar, preservar o meio ambiente, ou "usar camisinha"?

Mesmo que se realizem pesquisas antes-e-depois para aferir as mudanças na opinião pública sobre estas questões, é quase impossível determinar a influência de um determinado comercial ou programa de utilidade pública. Como vamos distinguir a sua influência particular sobre o público, exposto a tantas outras produções do mesmo gênero?

De qualquer forma, temos de nos basear nos "números" para tecer algumas considerações. Se constatamos, por exemplo, que a exibição de um comercial de 60 segundos numa emissora de TV aumenta a venda de pacotes de lâminas de barbear para 300 mil, podemos supor com segurança que a veiculação de um comercial de utilidade pública de 60 segundos irá igualmente influenciar a opinião pública sobre a preservação do meio ambiente, o tabagismo e o uso de preservativos....


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© 1996 - 2002, Ron Whittaker
Tradução Graça Barreiros